... Julgo que depois destes malabarismos, os currículos das pessoas com funções políticas activas com o propósito de praticar o bem comum de uma nação, devem ser exigidos e publicados em Diário da Republica para qualquer cidadão poder consultar e certificar-se das habilitações de cada politico. Não deve ser uma opção, mas uma condição contemplada numa lei própria para o efeito, pois como sabemos, nenhum trabalhador é admitido numa função numa empresa, sem referências e/ou curriculo académico/profissional. será verdade que o PS está "calado" neste caso da licenciatura de M. Relvas porque o Irmão Maçon António Seguro dos Bancos (da Universidade Lusófona) foi um dos professores envolvido no processo?...
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Euromilhões BPN Lusoponte Energia Parcerias Sagradas! "Perseguição a Pobres, Doentes e Grávidas"; 1 Semana Gov Desmente PM Com Novas Medidas de Austeridade" Deputada Mariana Aiveca



Mariana Aiveca; Governo quer os pobres contra os pobres; Governo; Política; Parlamento; Esquerda; Bloco;

Mariana Aiveca: "Governo quer os pobres contra os pobres"

 

A deputada Mariana Aiveca refere o novo ataque do Governo através de cortes nos subsídios de doença, morte e maternidade: "Assistimos a mais uma perseguição aos trabalhadores, protagonizada pelo Ministro Mota Soares, desta feita, perseguindo doentes e grávidas, alegando o combate à fraude".

Abram o olho:  "Governo quer os pobres contra os pobres"

Uma semana bastou para o Governo desmentir o PM com novas medidas de austeridade




Abram o olho: "Governo quer os pobres contra os pobres"

Uma semana bastou para o Governo desmentir o PM com novas medidas de austeridade

 

Nem foi preciso esperar pelo retificativo, o ministro Pedro Mota Soares apressou-se a apresentar um conjunto de alterações ao subsídio de doença e de maternidade que responde apenas a uma lógica: diminuir os direitos dos trabalhadores, poupar dinheiro aos cofres do Estado.


OPINIAO | 4 ABRIL, 2012 - 17:37 | POR MARIANA AIVECA

O Governo demonstrou que está unido e decidido a combater a fraude económica. Chamou os jornalistas, afinou o discurso e, com o ministro Pedro Mota Soares na tribuna, garantiu que nada vai ser como até aqui.


 

Desengane-se, contudo, quem pense que estava a falar do BPN, das rendas da energia, dos milhões para a Lusoponte ou das parcerias público privadas.


Calma, calma, podem os deputados do PSD e CDS estar sossegados que não lhes quero estragar a tarde. Aí, vai ficar tudo na mesma. Há que escolher prioridades e este Governo conhece bem as suas. Vai lançar a mão a quem, no seu entender, anda a delapidar os fundos públicos: os doentes, grávidas e beneficiários do rendimento social de inserção.

Nada de novo, afinal, a mão firme do Governo escolhe sempre os mesmos suspeitos: os trabalhadores e trabalhadoras.

Anunciou o ministro Pedro Mota Soares que, em nome do combate à fraude que diz grassar no subsídio de doença, o governo vai diminuir brutalmente o montante pago a quem está de baixa.

Entendamo-nos. Se o Governo quisesse combater a fraude, reforçava os mecanismos de fiscalização e não diminuía, como está a fazer, o dinheiro pago a quem está efetivamente doente.

Ninguém escolhe adoecer, nem tem qualquer prazer em ficar acamado ou com o braço ao peito. As medidas anunciadas, e a forma como foram justificadas, são um insulto à inteligência dos portugueses.

Afirmando que pretende “harmonizar” as condições da licença de maternidade com as do subsídio de doença, o Governo parece andar preocupado com o premente problema das gravidezes fraudulentas.

Não há aqui nenhuma intenção moralizadora ou de fiscalização, mas apenas e só introduzir mais um pacote de austeridade e diminuir o apoio social aos trabalhadores. Os mesmos trabalhadores que, vale a pena lembrar, descontam para poderem receber quando estão doentes.

Mas não é só a desculpa que é esfarrapada e que deixa à vista o preconceito ideológico deste Governo. Também o discurso tem traços inaceitáveis e que têm que ser denunciados, sob pena de banalizar o perigoso caldo social que o CDS não só não se importa de criar, como parece ter especial interesse em mexer e remexer.

Dizendo que, ao poupar 70 milhões de euros com o rendimento social de inserção, o Governo vai ter dinheiro para as reformas, Pedro Mota Soares rebenta com a escala da demagogia.

O interesse do Governo é claro. Colocando idosos contra pobres e os mais desfavorecidos contra os remediados pretende cavalgar a culpabilização social em que os mais desfavorecidos têm que encontrar na sua suposta inépcia as razões do seu empobrecimento.

Faz hoje precisamente uma semana que o primeiro-ministro afastou, numa entrevista televisiva, a intenção do Governo apresentar novas medidas de austeridade.

Repetindo e insistindo vezes sem conta a mesma mensagem, Pedro Passos Coelho garantiu que, “se nesta altura o Governo considerasse que seriam necessárias mais medidas de austeridade, o retificativo previa novas medidas e não prevê”.

Como vem sendo tristemente habitual, não há nada que confirme mais um cenário do que um desmentido do Governo.

Nem foi preciso esperar pelo retificativo, o ministro Pedro Mota Soares apressou-se a apresentar um conjunto de alterações ao subsídio de doença e de maternidade que responde apenas a uma lógica: diminuir os direitos dos trabalhadores, poupar dinheiro aos cofres do Estado.

Novas medidas de austeridade, portanto, quatro dias depois de o primeiro-ministro as negar sistematicamente.

Sobre o escasso valor da palavra e da necessária relação de confiança que se quebra a cada truque com as palavras, nos quais o Governo se vem especializando, não estamos ainda conversados.

Numa matéria em que não podia existir a mínima dúvida ou o mais pequeno jogo de palavras, Bruxelas e o Governo lançaram-se numa vertigem de mentidos e desmentidos sobre o fim permanente do subsídio de férias e de Natal para os funcionários públicos.

Bruxelas, de resto, apenas confirmou o segredo mais mal escondido deste Governo. Não há nas previsões orçamentais do Governo, muito antes pelo contrário, qualquer espaço para a reintrodução dos subsídios de férias e de Natal. A desvalorização salarial é o único instrumento competitivo que este Governo conhece e o seu ministro sombra, António Borges, até faz gala disso.

Disse hoje o ministro Vítor Gaspar que esta questão tem sido “artificialmente criada”. Tem razão. Artificialmente criada por si, pela troika e pelo primeiro-ministro. O mesmo primeiro-ministro que, no dia 1 de Abril do ano passado, seis meses antes de anunciar a supressão do subsídio de férias e Natal, negava solenemente qualquer intenção em cortar um dos subsídios.

Um Governo que apresenta um orçamento retificativo antes do Orçamento entrar em vigor, que não acerta numa previsão económica, que vê o desemprego aumentar em flecha e as falências suceder-se umas às outras vem-nos tentar convencer que é propósito do subsídio de férias e Natal que os seus números batem certo.

Temos muito pena, senhor ministro Vítor Gaspar, mas para isso precisamos de mentiras novas.

Declaração política na Assembleia da República a 4 de Abril de 2012

Mariana Aiveca
Deputada, dirigente do Bloco de Esquerda, funcionária pública.

http://www.esquerda.net/opiniao/uma-semana-bastou-para-o-governo-desmentir-o-pm-com-novas-medidas-de-austeridade/22609#.T3yA9-q4ncQ.facebook

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Impacto Austeridade Falência Serviços Saúde Portugal: SEP Sindicato Enfermeiros Portugueses Denuncia Existência Doentes Internados em Refeitório Hospital Évora, Aumento Brutal de Macas e Camas em Corredores de Departamentos Médicos Portalegre Alentejo



Impera a "Lei do Capital", e estes gajos, dos político negócios, das privatizações, com esta política de privatizações, comandados do grupo Bilderberg matam o povo para alimentar os bancos. Já aqui publicámos as denúncias da Associação dos Médicos de Saúde Pública, verdadeiros Crimes contra a humanidade a nível de política de saúde. Agora surge mais esta denúncia do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP),  que denuncia Caos Crime de Atentados Terroristas contra a HumanidadeFalência dos Serviços de Saúde de Portugal. Aqui, nesta página tratamos do caso política de saúde no Alentejo, concretamente de Évora e Portalegre Alentejo: Sindicato dos Enfermeiros denuncia existência de “doentes internados em refeitório”. Como diz o Otelo "foram ultrapassados os límites", só nos resta seguir  como solução pra sair da crise, o farol para onde devemos olhar e seguir o exemplo da recuperação económica da Islândia.



O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou a existência de “doentes internados em refeitório” no Hospital de Évora e o aumento “brutal” de macas e de camas nos corredores das unidades.

Numa conferência de imprensa sobre o impacto das políticas de saúde, o dirigente sindical José Carlos Martins deu como exemplos os casos de Évora e Portalegre.

“Nós hoje temos um aumento brutal de macas e camas em corredores de departamentos médicos”, afirmou, referindo que no Hospital de Évora “há doentes internados em refeitório e em cirurgia de ambulatório”.

De acordo com o dirigentes do SEP, o Hospital de Portalegre “tem 12 camas” no corredor do serviço de medicina.

“Só não morrem mais [doentes] nos próprios hospitais devido ao grande esforço que os enfermeiros fazem para que as pessoas se mantenham vivas”, acrescentou José Carlos Martins.


Perante este cenário, o SEP considera que “os enfermeiros têm razões acrescidas para participar na greve geral de quinta-feira”.

Sindicato dos Enfermeiros Portugueses Página no Facebook Page

Revoltem-se Antes que os matem!

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Portugal Austeridade Coloca Custos à Frente Qualidade Saúde! SEP Sindicato Enfermeiros Portugueses Denuncia Reutilização de Materiais NÃO Reutilizáveis Vida dos Doentes em Risco Video



Cortes nos serviços de saúde

Conferência de Imprensa, 20 de Março, às 16 horas, na sede do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, situada na Av. 24 de Julho, nº 132, Lisboa

ESTARÁ O GOVERNO A COLOCAR OS CUSTOS À FRENTE DA ACESSIBILIDADE E DA QUALIDADE?


Sindicato dos Enfermeiros portugueses denuncia reutilização de materiais não reutilizáveis, colocada em Risco a saúde dos doentes com video da conferência de imprensa

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denuncia tentativas de reutilização de materiais que não são reutilizáveis em serviços como a diálise, os transplantes ou a cardiologia (pacemakers) que colocam em risco a segurança e a vida dos doentes.

Numa conferência de imprensa sobre o impacto das políticas de saúde, o dirigente do SEP José Carlos Martins enumerou vários exemplos da perda de qualidade dos serviços e do material disponibilizado nos serviços de saúde que estarão relacionados com os cortes financeiros. “Este corte de milhões de euros nas instituições está a provocar uma degradação da qualidade e quantidade de materiais de uso clínico”, disse José Carlos Martins.

O enfermeiro deu exemplos de situações graves, como a tentativa de reutilização de materiais que não são reutilizáveis, como pacemakers, que o sindicato está a apurar de forma a apresentar os casos às “autoridades competentes”.

As áreas da diálise ou dos transplantes foram igualmente apresentadas como as que registam estas tentativas de reutilização indevida de materiais.

Compressas que se deterioram, balões de soro que vertem este material, obrigando à sua substituição, pensos e adesivos de qualidade duvidosa foram outros exemplos apontados por José Carlos Martins.

Além do material, este dirigente sindical disse que “estes cortes, aplicados de forma séria nas instituições, está a provocar a saída de enfermeiros sem que estes sejam substituídos”.

Temos um número de enfermeiros muito inferior às necessidades dos internados e das dotações seguras que o Ministério da Saúde fixou para as instituições”, disse.

José Carlos Martins sublinhou que, nos serviços cirúrgicos, com uma enorme rotação de doentes, “os enfermeiros já não têm condições de fazer o conjunto de actividades que sabem e que os doentes têm direito”.

Segundo este responsável sindical, a situação é de tal forma grave que já há hospitais com doentes internados nos refeitórios (como no Hospital de Évora), macas nos corredores, enfermarias com mais camas do que aquelas que estavam preparadas, ou menos enfermeiros por turno.

Todos estes casos proporcionam maiores riscos para os doentes, nomeadamente ao nível das infecções hospitalares, mas também afectam os cuidados saúde primários, como o tratamento de escaras, para o qual já “não existem enfermeiros em número suficiente”.

José Carlos Martins alertou para o aumento do internamento de doentes institucionalizados que chegam aos hospitais com escaras não tratadas.

Perante este cenário, o SEP considera que “os enfermeiros têm razões acrescidas para participar na greve geral de quinta-feira, resultante de “uma enorme onda de insatisfação, frustração e desmotivação no seio da classe”.


E a nota à comunicação Social datada de 19 de Março de 2012



SINDICATO DOS ENFERMEIROS PORTUGUESES

SEDE: Av. 24 de Julho, 132 - 1350-346 Lisboa - Telef.: 213920350 - Fax: 213968202
Geral: E-mail: sede@sep.pt - site: www.sep.org.pt - CDI: E-mail: cdi@sep.pt

Nota à comunicação social

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

20 MARÇO, 16 horas

AV. 24 de Julho, 132, Lisboa

Posição pública do SEP sobre:

1. Acessibilidade aos cuidados de saúde
2. Diminuição das condições de trabalho dos enfermeiros
3. Carência e precariedade de enfermeiros
4. Diminuição da qualidade dos materiais
5. Desregulamentação de horários de trabalho.
Desde já o SEP agradece a presença dos senhores jornalistas.
Lisboa, 19 de Março de 2012

A Direcção
Contacto: Enf.ª Guadalupe Simões – Telemovel 91 945 89 83

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Portugal Saúde Alentejo e Interior Resolve Crise Portuguesa Método Inovador Solução Política Passos Gaspar UE BCE FMI "Dois Coelhos de 1 Cajadada: Reduzir População Ajudar Banca, Mercados, Matar Velhos e Doentes Com Cumplicidade do Povo Consentidor



Lá diz o povo, e o povo tem razão. São ditados muito antigos e confirmados.


"Tão Ladrão é o Que Vái Há Horta Como o Que Fica á Porta"

"Quem Cala Consente."



Para a política o homem é um meio; para a moral é um fim. A revolução do futuro será o triunfo da moral sobre a política.
Ernest Renan

para os que enterram a cabeça na areia
---------------------------------------------------------~~~~~~~~~~~~~~
Aqueles capazes de abdicar da liberdade para obter um pouco de segurança temporária não merecem nem a segurança, nem a liberdade.
Autor: Benjamin Franklin

------------------------------------------------------------------
para a canalha que desgoverna Portugal
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Investir em conhecimentos rende sempre melhores juros.
Autor: Benjamin Franklin
------------------------------------------------------------------
ainda para a canalha que desgoverna Portugal, para a igreja e demais cumpices
-----------------------------------------------------------------

"Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo."
(I João 2:10)
"Não defraudando, antes mostrando toda a boa lealdade, para que em tudo sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador."
(Tito 2:10)
"Tendo, pois, tal esperança, usamos de muita ousadia no falar."
(II Coríntios 3:12)
"Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer."
(Romanos 3:10)
"Não digas ao teu próximo: Vai, e volta amanhã que to darei, se já o tens contigo."
(Provérbios 3 : 28)
"E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;"
(Mateus 21 : 12)



A notícia do Jornal Público

Saúde em portugal Longe do médico, sem dinheiro e sem transportes

No litoral alentejano e no interior, há idosos sem dinheiro sequer para chegar às urgências e que já trocam produtos básicos por medicamentos. Nos centros de saúde, falta tudo.

É preciso levantar cedo e apanhar a camioneta. É preciso viajar uma hora e meia até Odemira. E depois é preciso subir o morro devagarinho, já que o centro de saúde se encontra bem lá no alto e é onde funciona o serviço de urgência. De outra maneira, Maria Helena Gonçalves, de 62 anos, residente em S. Martinho das Amoreiras, pequena localidade nos arredores de Odemira, não será observada pelo médico. É que lá não há centro de saúde, só há médico de oito em oito dias, às quintas-feiras, quando vai dar consulta num lar de idosos, em São Teotónio. Quem quiser aproveitar, tem é de pagar. Mas hoje não é quinta-feira. E Helena sente-se doente.

Na sala de espera do serviço de urgência do Centro de Saúde de Odemira, aguarda pela sua vez de ser atendida. Mas à sua frente tem dois doentes mais urgentes, um com suspeita de enfarte, outro com suspeita de AVC. Os dois médicos de serviço estão ocupados em estabilizá-los. Se perder a camioneta das 13h30 para regressar a casa, só voltará a ter transporte à noite, às 19h30. Maria Helena vive de uma reforma muito pequena, não tem dinheiro para pagar táxi e o seu caso não é suficientemente grave para chamar o INEM.

Longe do atendimento médico, sem dinheiro e sem transportes, assim vivem milhares de pessoas no interior do país.

O médico Denis Pizhin, natural da Crimeia, Ucrânia, está sozinho na urgência do Centro de Saúde de Odemira. O outro médico teve de acompanhar um doente em estado crítico até ao hospital de referência da zona, o de Santiago do Cacém, a cerca de 80 quilómetros de distância.

Denis Pizhin, de 31 anos, veio da Crimeia em 2008, logo depois de se licenciar em Medicina. O estágio, já o fez cá. Hoje, é um médico "prestador de serviços", contratado através de empresas que angariam clínicos para os hospitais e, em troca, recebem percentagens.

Por hora, ganha 24 euros brutos, cerca de 15 euros líquidos, diz, com um sorriso crítico. "Quase o mesmo que uma empregada doméstica". Por dia, vê cerca de 60, 70 pessoas, a maioria com situações ligeiras, conta. Os casos mais graves, cerca de 30 por cento, calcula, vão de crises asmáticas a enfartes, que têm de seguir para o hospital de Santiago do Cacém ou para o de Beja.

Desde que veio para Portugal, Denis já aprendeu muito profissionalmente, mas também já viu muito. Já trabalhou na urgência de várias unidades de saúde no interior do Alentejo. Em Beja, onde actualmente só há "consulta aberta". Em Ferreira do Alentejo, que "já nem consulta aberta tem", em Moura. Agora, além de Odemira, presta serviço em Ponte de Sor e no distrito da Guarda.

Faltam medicamentos

Na urgência de Odemira, "há duas semanas que não há soro" habitualmente usado nos hospitais. "Temos de nos desenrascar com outros tipos de soros", diz. "Há sempre falta de medicamentos essenciais", entre os quais medicamentos para evitar os vómitos ou reagentes laboratoriais, como, por exemplo, tropomina, fundamental no diagnóstico de enfarte.

"As populações destas localidades estão evidentemente em risco", afirma o médico. "Passar férias no litoral alentejano, pode ser perigoso". No Verão, "os lisboetas que precisam de ir à urgência, dizem muitas vezes que isto parece África".

À falta de transportes públicos, soma-se o mau estado das estradas, cheias de curvas e de buracos, por onde as ambulâncias têm muitas vezes de passar para ir buscar doentes, e que também têm de percorrer para os levar para o hospital.

A falta de uma comunicação eficaz entre os centros de saúde e os hospitais e a desarticulação entre os bombeiros e o INEM são apontadas por Denis como outros factores que agravam ainda mais as dificuldades do acesso aos cuidados médicos nas zonas do interior do país. Muitas das situações revelam-se mesmo fatais, particularmente no caso de acidentes graves na estrada. Há casos de mortes que poderiam ter sido evitadas "se houvesse outra organização", diz o médico.

Como exemplo, conta o episódio que envolveu um homem, vítima de um desastre nos arredores de Odemira, que começou por ser transportado para a urgência do centro de saúde. Dali, foi transportado para Santiago do Cacém, onde foi decidido que, face à gravidade do seu estado, teria de ir para o Hospital de S. José, em Lisboa. Só lá chegou mais de oito horas após o acidente e acabou por morrer pouco tempo depois. Se tudo se tivesse processado mais rapidamente, o homem "poderia não ter morrido", afirma Denis.
Há outros casos recentes, como o de uma criança estrangeira de 22 meses que morreu no Centro de Saúde de Odemira depois de ter sido atropelada, em Agosto do ano passado. Deu ali entrada em paragem cardio-respiratória, quando lá se encontravam apenas um médico e um enfermeiro, um número de profissionais considerado "insuficiente" para prestar a assistência necessária, segundo o que então considerou a Ordem dos Enfermeiros.Também o bastonário dos médicos, José Manuel Silva, manifestou então as suas preocupações, lembrando que, segundo a lei, a equipa de uma urgência básica deverá ter dois médicos e dois enfermeiros em presença física. É "inaceitável" - considerou - "a saída de um enfermeiro de uma forma rotineira e frequente, deixando a unidade com um elemento, número que fica abaixo dos mínimos aceitáveis".

Mas, passado quase um ano, a situação mantém-se: quando um dos enfermeiros tem de acompanhar um doente crítico, fica apenas um enfermeiro no centro.

As crescentes dificuldades de aceder aos cuidados de saúde com que se debatem muitas pessoas, sobretudo idosas que vivem em localidades do interior, é testemunhada por Pedro Rabaça, de 44 anos, enfermeiro no hospital de Portalegre que também presta serviço no INEM. Este profissional vai buscar pessoas que vivem "no fim do mundo, longe de tudo, do poder de decisão, dos técnicos". Em zonas onde "faltam especialidades médicas, meios de diagnóstico, onde não há médicos de família, não há urgências e faltam enfermeiros".

Os efeitos da redução dos transportes de doentes financiados pelo Estado já são notórios. Face a uma situação de urgência, as pessoas que vivem em "povoações muito isoladas" e cujas reformas "mal dão para comer" ou conseguem uma boleia, ou alugam um táxi ou ficam à espera de piorar para que o INEM aceite ir buscá-las sem terem de pagar, conta Pedro Rabaça. A situação é tão preocupante, diz este enfermeiro que "há idosos que estão a trocar medicamentos por produtos básicos".

Natália está só, pobre e doente

Natália tem 57 anos e um tumor na hipófise. Recebe uma reforma de 379 euros, dos quais só fica com 315, por causa de "umas dívidas", e tem de pagar uma renda de casa de 214 euros.

Natália tem dois filhos, o mais novo desempregado ("algum ouro que tinha foi todo destruído para comer"), o mais velho com um ordenado muito pequeno. Trabalha nos serviços municipais, paga uma renda de casa de 250 euros e tem de sustentar quatro filhos. A mulher trabalha nas limpezas.

Por isso, os filhos não a conseguem apoiar. Vive em Ponte de Sor e não tem dinheiro para ir às consultas no Instituto Português de Oncologia (IPO). Também não tem dinheiro para medicamentos. Este mês ainda não pagou a luz. Já foi operada duas vezes. Queixa-se de fortes dores de cabeça. "Tenho uma vista fechada. Há dias que quase não vejo". Vai começar a fazer radioterapia. Natália está numa lista de espera para ser operada em Coimbra. "É muito longe, não conheço ninguém. Tenho uma grande tristeza".

Na semana passada, foi três vezes à urgência do Centro de Saúde de Ponte de Sor. Mas faltou à consulta de Endocrinologia no IPO.

"Às vezes, algumas pessoas amigas ajudam-me. Mas pedir, eu tenho vergonha", diz. Cada vez mais frequentemente, o médico Denis Pizhin atende doentes como ela, sem possibilidades financeiras para seguir tratamento. Sem que ninguém a verbalize, no ar fica a pergunta: quem se responsabiliza pelo que o futuro lhes reserva?

http://www.publico.pt/Local/longe-do-medico-sem-dinheiro-e-sem-transportes-1538728

Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão.
Jean-Paul Sartre

Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies.
Machado Assis

As revoluções são a locomotiva da história.
Karl Marx

Para a política o homem é um meio; para a moral é um fim. A revolução do futuro será o triunfo da moral sobre a política.
Ernest Renan

A plebe apenas pode fazer tumultos. Para fazer uma revolução, é preciso o povo.
Victor Hugo

A verdadeira revolução acontece quando mudam os papéis e não apenas os autores.
Gilbert Cesbron

As ocasiões fazem as revoluções.
Machado de Assis

Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética.
Che Guevara

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