... Julgo que depois destes malabarismos, os currículos das pessoas com funções políticas activas com o propósito de praticar o bem comum de uma nação, devem ser exigidos e publicados em Diário da Republica para qualquer cidadão poder consultar e certificar-se das habilitações de cada politico. Não deve ser uma opção, mas uma condição contemplada numa lei própria para o efeito, pois como sabemos, nenhum trabalhador é admitido numa função numa empresa, sem referências e/ou curriculo académico/profissional. será verdade que o PS está "calado" neste caso da licenciatura de M. Relvas porque o Irmão Maçon António Seguro dos Bancos (da Universidade Lusófona) foi um dos professores envolvido no processo?...
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ASJP: Novas Medidas de Austeridade Anunciadas Pelo Governo São Uma Afronta Á Decisão do Tribunal Constitucional; Não Respeitam A Obrigação de Garantir Distribuição Equitativa dos Sacrifícios Por Todos Os Cidadãos; Voltam A Penalizar Trabalhadores, Funcionários, Reformados e Pensionistas! Comunicado da Associação Sindical de Juízes Posrtuguese



Juízes dizem que novas medidas de austeridade são "afronta ao Tribunal Constitucional" e de acordo com o constitucionalista e ex-deputado do PSD Bacelar Gouveia, em declarações á SIC Notícias, "os deputados que votarem favoravelmente o orçamento de Estado, incorrem em processo crime."


A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) disse que as novas medidas de austeridade anunciadas pelo Governo são "uma afronta ao Tribunal Constitucional", considerando que penalizam "mais uma vez" os rendimentos do trabalho.


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"As medidas anunciadas, mais do que contornar a decisão do Tribunal Constitucional, são uma afronta ao que foi decidido por este tribunal no que respeita necessidade de garantir a distribuição equitativa dos sacrifícios por todos os cidadãos", refere a ASJP em nota enviada à agência Lusa.


Para os juízes, "penalizam-se, mais uma vez, aqueles que vivem apenas dos rendimentos do seu trabalho, quer como servidores públicos, quer como trabalhadores do sector privado, bem como os reformados e pensionistas".

A ASJP antecipa "mais um conflito de natureza constitucional", acrescentando que poderemos estar em "rota de colisão entre a acção governativa e os seus limites constitucionais".

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou na sexta-feira um aumento de 11 para 18 por cento da contribuição para a Segurança Social dos trabalhadores dos sectores público e privado e a redução de 23,75 para 18 por cento da contribuição das empresas

Com as novas medidas de austeridade os funcionários públicos continuam a perder o equivalente ao subsídio de natal e de férias, cuja suspensão tinha sido considerada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional.

Um dos subsídios continuará suspenso e o outro será diluído pelos 12 meses de salário, mas na prática será absorvido pelo aumento de 7 por cento da taxa a pagar à Segurança Social.




Para os funcionários do sector privado, o aumento da comparticipação para a Segurança Social equivalerá à perda de um salário por ano.



Os pensionistas continuaram sem subsídios de natal e férias.


As medidas estarão previstas no Orçamento do Estado para 2013 e são justificadas pelo Governo como forma de compensar a suspensão dos subsídios de férias e de Natal em 2013 e 1014, "chumbada" pelo Tribunal Constitucional, e o governo tem o descaramento de dizer que é promover a criação de emprego.

Governo de Passos Coelho é Profundamente Corrupto


Governo de Portugal Pratica Crimes Contra a Humanidade

Constitucionalista Bacelar Gouveia Diz Que O Governo Afronta Tribunal Constitucional, O Que Pode Constituir Crime

Novo Roubo é Inconstitucional! Governo Rouba Aos Pobres Para Que O Grande Capital Continue Sem Pagar Imposto! Declarações de Ana Drago


"Estamos Indignados", Deputado João Semedo, Bloco de Esquerda


Jerónimo de Sousa Apela Á Revolta do Povo Português Contra o Pacto de Agressão e Contra o Governo


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"Manifesto Abril Não Desarma": Medidas e Sacrifícios Impostos aos Cidadãos Portugueses Ultrapassaram Limites InSuportáveis: Conferência de Imprensa Associação 25 de Abril Video Oficial dos Militares da Revolução dos Cravos



Associação 25 de Abril não participa nas comemorações oficiais, PSP ameaça manifestações

Pela primeira vez, a Associação 25 de Abril não participará nas comemorações oficiais do 25 de Abril, considerando que “a linha política seguida pelo atual poder político deixou de refletir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril” e que “as medidas e sacrifícios impostos” à população “ultrapassaram os limites do suportável”. Entretanto, a PSP ameaça manifestações.

Conferência de imprensa da Associação 25 de Abril
Conferência de imprensa da Associação 25 de Abril

O Presidente da Direcção da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, divulga, perante uma plateia de militares de Abril, o manifesto "Abril não Desarma", anunciado que a Associação 25 de Abril não vai participar nos actos oficiais nacionais evocativos do 38º aniversário do 25 de Abril, mas participará na manifestação popular e em comemorações locais.

Nesta segunda feira em conferência de imprensa e perante uma plateia de militares de Abril, Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, leu o manifesto “Abril não desarma”, anunciando: “O poder político que atualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores. Em conformidade, a Associação 25 de Abril anuncia que não participará nos atos oficiais nacionais evocativos do 38.º aniversário do 25 de Abril”.

O manifesto esclarece que a associação “participará nas comemorações populares e outro atos locais de celebração” da revolução de 1974, assim como “continuará a evocar e a comemorar o 25 de Abril numa perspetiva de festa pela ação libertadora e numa perspetiva de luta pela realização dos seus ideais, tendo em consideração a autonomia de decisão e escolha dos cidadãos, nas suas múltiplas expressões.”

O manifesto refere também que “as medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável”, frisa “ser oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar” no País e salienta que “Portugal é tratado com arrogância por poderes externos”, algo que os atuais governantes “aceitam sem protesto e com a auto-satisfação dos subservientes”. No manifesto declara-se ainda que “Portugal não tem sido respeitado entre iguais, na construção institucional comum, a União Europeia”, pelo que o seu “estatuto real é hoje o de um 'protetorado', com dirigentes sem capacidade autónoma de decisão” sobre os destinos do País.

Também nesta segunda feira, o jornal “Diário de Notícias” titula que a “PSP prepara tolerância zero nas 'manifs' do 25 de abril”. Segundo o jornal, “a PSP deverá impedir manifestações, desfiles, ações de rua que não tenham seguido todos os procedimentos legais para a sua realização”. O jornal refere que o inspetor nacional da PSP Magina da Silva, que comandou a Unidade Especial de Polícia e o Grupo de Operações Especiais, diz que a PSP “não será tão tolerante” das próximas vezes, em comparação com o que se passou no dia da última Greve Geral, em que a PSP carregou violentamente no Chiado, ferindo até dois fotojornalistas.


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Cyber, Security, Tecnologia, Segurança e Ameaças aos Cidadãos! Alerta de Sergey Brin Co Fundador Google: "Facebook, Apple e os Governos Ameaçam A liberdade na internet" in Entrevista ao The Guardian



Governos ameaçãm a Liberdade e desenvolvimento da Internet, Governos; Apple; Facebook
Entrevista ao Google co-founder
Sergey Brin Co Fundador Google:
O Facebook, a Apple e os Governos
ameaçãm a Liberdade na Internet

Google: Facebook e Apple ameaçam a liberdade na Internet

Resumo: co-fundador do Google Sergey Brin listou três ameaças à liberdade na internet: Facebook, Apple, e os governos que censuram os seus cidadãos. Esta não é a primeira vez Google tem sido crítica de todas as três.



Em setembro de 2011, um executivo do Google disse que o Facebook estava tornando-se "um jardim fechado murado". Sergey Brin já Google co-fundador voltou a fazer mais comentários, dizendo que o Facebook está tornando-se uma ameaça para a Internet, juntamente com a Apple e, claro, os vários governos tentando censurar os seus cidadãos. Na semana passada, o grupo Anonymous hacktivist derrubou três sites do governo do Reino Unido em resposta a medidas, a que o governo do país chamou "propostas de vigilância draconiana" e "derrogação dos direitos civis."

Os comentários Brin foram feitas para The Guardian:

Google está a observar-te; Google is watching You; Google; Google Logo
Google está a observar-te, Google is watching You

A ameaça à liberdade da Internet vem, segundo ele, de uma combinação entre os governos que tentam controlar cada vez mais o acesso e a comunicação etre os seus cidadãos, as tentativas da indústria do entretenimento para reprimir a pirataria, e a ascensão do "restritivo", dos jardins murados, como Facebook e Apple, que controlam rigidamente o software que pode ser lançado nas suas plataformas.

Ele disse que estava mais preocupado com os esforços de países como China, Arábia Saudita e Irão para censurar e restringir o uso da internet, mas advertiu que a ascensão do Facebook e Apple, que têm suas próprias plataformas proprietárias e controlam o acesso aos seus usuários , arriscam sufocar a inovação e balkanisar a web.
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"Há muito a perder", disse ele. "Por exemplo, todas as informações em aplicativos - cujos dados não são rastreáveis ​​por crawlers. Você não pode pesquisá-lo. "

Brin argumentou que ele e o google co-fundador Larry Page, não teriam sido capazes de criar o Google se o Facebook tivesse aparecido primeiro. Isto é porque os motores de busca exigem a existência de uma Web aberta, e muitas regras para funcionar, mas eles fazem o oposto  só para fechá-la, eles etão a "sufocar a inovação", disse Brin. Claro que ele não mencionou nada sobre a Pesquisa do Google mais Your World recurso (SPYW), que prioriza principalmente o Google + em relação ás outras redes sociais.

Facebook e Google tiveram uma enorme batalha em novembro de 2010 (antes de existirv o Google +) a guerra teve a ver com a exportação de contactos entre contas. Tudo começou quando o Google proibiu o Facebook de aceder aos dados de contatos do Gmail, por ajuste dos Termos de Serviço do Google Contacts API de dados, em que os sites que acedam ao Google Contacts têm que oferecer acesso aos seus dados também.

O Facebook ainda queria que seus novos usuários para saber se seus contatos do Gmail também tem contas no Facebook, por isso implementamos uma solução alternativa: a empresa disse aos seus usuários usar um recurso do Google que ajudou a descarregar os seus próprios dados, e então os instruiu a voltar ao Facebook e fazer o upload do arquivo. Na tentativa de convencê-lo a não entregar os seus contactos à rede social concorrente, o Google, em seguida, lutou, mostrando uma grande mensagem de aviso quando os utilizadores do Facebook vieram para exportar os dados dos seus contatos do Gmail. O Facebook provavelmente pensou que isso iria prejudicar a sua imagem, então ele não apenas removeu as instruções e links para download direto aos contatos do Gmail, mas a empresa decidiu remover completamente o suporte para a importação de contatos do Gmail.

Ao fazê-lo, o Facebook terminou a guerra que o Google começou, mas não  há um vencedor claro. O objetivo do Google era ter acesso aos dados do Facebook, mas não conseguir. Facebook, por outro lado, tornou muito difícil aos usuários do Gmail para adicionar seus amigos (leia-se: agora você tem que fazê-lo manualmente). No final, foram os usutilizadores aqueles que mais perderam. Se bem que enquanto eles estiverem em guerra, temos maior confidencialidade de dados entre redes.

Em julho de 2011, terceiros tentaram oferecer formas para exportar seus amigos do Facebook, mas o Facebook bloqueou todos eles. Em agosto de 2011, o Facebook começou a deixar de exportar endereços de seus amigos do Facebook e-mail, mas com um senão: os seus amigos têm que dar-lhe autorização primeiro.

O Facebook passou a incluír os endereços de email sua Sua ferramenta descarregue a sua informação (Download Your Information tool, ), mas astuciusanente só lhe permite obter os endereços de e-mail de seus amigos que permitiram que o novo recurso (Configurações de Conta => Email => Editar => aceitar amigos para incluir o meu endereço de e-mail em baixar as suas informações).

Uma vez que o recurso é desmarcado por padrão, a fim de obter todos os endereços de e-mails dos seus amigos, todos os seus amigos têm de selecionar opt-in primeiro. Seria mais rápido ir a todos os seus perfis e apenas copiar os seus endereços de e-mail manualmente, o que é exatamente o que todos aqueles que desejam exportar seus contatos do Facebook está tentando evitar.

O Facebook fez isso para desviar as críticas e ser capaz de argumentar que oferece o recurso, mas seus usuários não estão dando cada permissão aos outros para tirar proveito dela. Em essência, o Facebook mudou a culpa de si mesmo para seus amigos.

E-mail são a chave para exportar os seus contactos e importá-los em outro lugar. Facebook tem sido tão insistente em não deixar ninguém se aproximar deles, porque sabe que o seu gráfico social é muito valioso. Se Menlo Park torna-se possível exportar rapidamente seus amigos do Facebook, a empresa iria perder poder, essencialmente, estaria tornando mais fácil para você ir para outro serviço, como Google +.

Brin, é claro que aproveitou a oportunidade para criticar o Facebook por não tornar fácil aos usuários para mudar seus dados para outros serviços. "O Facebook foi sugando contatos do Gmail durante muitos anos", disse ele ao The Guardian. Bem, sim, mas, tecnicamente, a empresa parou de fazer isso há quase dois anos.

O maior problema é sobre como a empresa lida com exportação de dados do usuário, e é disso que Brin estava realmente falando com os seus comentários acerca da Internet. Apps são apenas uma extensão do que: Google adoraria entrar e ver o que você está fazendo dentro do seu Facebook e aplicativos iOS.

Agora uma coisa é certa, Google tem razão: Facebook, Apple e os governos ameaçam a liberdade na Internet

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SNS Oncologia Portugal: Falta Equidade no Diagnóstico e Tratamento Dontes de Cancro! Francisco George Diretor Geral da Saúde: "Os Cidadãos Têm De Ser Diagnosticados e Tratados Como Têm Direito"



O diretor-geral da Saúde reconheceu hoje que os portugueses com cancro não são todos tratados da mesma maneira e que os rastreios oncológicos não funcionam da mesma forma ao longo do país.

Francisco George Diretor Geral da Saúde

Oncologia: Doentes não são tratados da mesma forma

in Agência Lusa 

Francisco George; Diretor Geral da Saúde; Oncologia; Doentes não são tratados da mesma forma; Serviço Nacional de Saúde; Os cidadãos têm de ser diagnosticados; e tratados da mesma forma; como têm direito; Fotografia; António Henriques

Francisco George diretor-geral da Saúde Oncologia:

"Doentes não são tratados da mesma forma!

Os cidadãos têm de ser diagnosticados e tratados da mesma forma, como têm direito".


Francisco George falava durante a apresentação da ONCOagenda, um documento elaborado por 17 peritos em saúde e oncologia, no qual é defendido um financiamento das estruturas oncológicas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que se adapte ao tipo de tratamento de cada tumor.

Para o diretor-geral da Saúde, todos os contributos -- como este hoje apresentado -- são "bem-vindos".

"Temos de assegurar a equidade" no acesso aos rastreios e ao tratamento do cancro, disse o especialista em saúde pública, reconhecendo que esta nem sempre existe em Portugal.


A esse propósito, explicou que os rastreios não funcionam da mesma forma ao longo do país, nomeadamente a cancros como o do colo do útero, da próstata ou colon retal.

"Os cidadãos têm de ser diagnosticados e tratados da mesma forma, como têm direito", defendeu Francisco George Diretor Geral da Saúde.

Francisco George lembrou ainda que quase um quarto dos portugueses morre antes de atingir os 70 anos e que, para tal, contribui de forma importante o cancro.

O responsável defendeu uma acção a três frentes: criação de normas de orientação em oncologia, a consolidação dos institutos portugueses de oncologia como instituições de referência e o reforço das redes regionais de proximidade dos carcinomas mais comuns.

Na apresentação da ONCOagenda, o oncologista do IPO do Porto António Araújo lembrou os números dos mortos por cancro no mundo: 7,6 milhões em 2008 que aumentará para 17,6 milhões em 2030.

No que diz respeito ao financiamento das estruturas oncológicas do SNS, o grupo de peritos que elaborou este documento considera que este "não deverá ser de base capitacional nem deverá estar ligado a atos de saúde concretos", lê-se na proposta a que a Lusa teve acesso.

"Um preço compreensivo por patologia, segundo uma tabela nacional rigorosa de actos e procedimentos (custo versus pagamento), baseado em linhas de orientação clínicas nacionais, independente das pessoas e com estímulos diferenciadores (de acordo com o índice de procura/referenciação do médico de família), permitiria um financiamento mais real e mais adequado a cada centro", lê-se na proposta que os peritos vão entregar à tutela.

Os especialistas consideram que "esta forma de financiamento terá, necessariamente, que ter também em linha de conta o crescente uso das terapêuticas orais, devendo ser independente da forma ou local de administração (sistémica ou oral, em internamento ou ambulatório), e a utilização de cirurgia minimamente invasiva".

Nesta lógica, permitir-se-ia que "as terapêuticas mais recentes (habitualmente, mais dispendiosas) fossem usadas em ambientes controlados nos centros de referência, possuidores de uma experiência maior na investigação clínica".

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Crise Económica Europeia: Islândia, a Ilha Farol da Utopia Moderna! Verdadeiro Projecto de Democracia Real, Com Uma Constituição Redigida por Assembleias de Cidadãos, é o Partir da Espinha Dorsal do Capitalismo!



Crise do euro: A Islândia é a utopia moderna, um Verdadeiro Projecto de Democracia Real

Ao rejeitarem, num referendo, o resgate dos seus bancos tóxicos e o pagamento da dívida externa, os cidadãos islandeses mostraram que é possível fugir às leis do capitalismo e tomar o destino nas próprias mãos, escreve um historiador espanhol.


Miguel Ángel Sanz Loroño

Desde Óscar Wilde que é sabido que um mapa sem a ilha da Utopia é um mapa que não presta. No entanto, que a Islândia tenha passado de menina bonita do capitalismo tardio a projeto de democracia real, sugere-nos que um mapa sem Utopia não só é indigno que o olhemos, como também um engano de uma cartografia defeituosa. O farol de Utopia, quer os mercados queiram quer não, começou a emitir ténues sinais de aviso ao resto da Europa.



A Islândia não é a Utopia. É conhecido que não pode haver reinos de liberdade no império da necessidade do capitalismo tardio. Mas é sim o reconhecimento de uma ausência dramática. A Islândia é a prova de que o capital não detém toda a verdade sobre o mundo, mesmo quando aspira a controlar todos os mapas de que dele dispomos.

Com a sua decisão de travar a marcha trágica dos mercados, a Islândia abriu um precedente que pode ameaçar partir a espinha dorsal do capitalismo tardio. Por agora, esta pequena ilha, que está aquilo que se dizia ser impossível por ser irreal, não parece desaparecer no caos, apesar de estar desaparecida no silêncio noticioso. Quanta informação temos sobre a Islândia e quanta temos sobre a Grécia? Porque é que a Islândia está fora dos meios que nos deviam contar o que acontece no mundo?

Uma Constituição redigida por assembleias de cidadãos

Até agora, tem sido património do poder definir o que é real e o que não é, o que pode pensar-se e fazer-se e o que não pode. Os mapas cognitivos usados para conhecer o nosso mundo sempre tiveram espaços ocultos onde reside a barbárie que sustenta o domínio das elites. Esses pontos obscuros do mundo costumam acompanhar a eliminação do seu oposto, a ilha da Utopia. Como escreveu Walter Benjamin: qualquer documento de cultura é, ao mesmo tempo, um documento de barbárie.

Estas elites, ajudadas por teólogos e economistas, têm vindo a definir o que é real e o que não é. O que é realista, de acordo com esta definição da realidade, e o que não o é e, portanto, é uma aberração do pensamento que não deve ser tida em consideração. Ou seja, o que se deve fazer e pensar e o que não se deve. Mas fizeram-no de acordo com o fundamento do poder e da sua violência: o terrível conceito da necessidade. É preciso fazer sacrifícios, dizem com ar compungido. Ou o ajuste, ou a catástrofe inimaginável. O capitalismo tardio expôs a sua lógica de um modo perversamente hegeliano: todo o real é necessariamente racional e vice-versa.

Em janeiro de 2009, o povo islandês revoltou-se contra a arbitrariedade desta lógica. As manifestações pacíficas das multidões provocaram a queda do executivo conservador de Geir Haarde. O governo coube então a uma esquerda em minoria no Parlamento que convocou eleições para abril de 2009. A Aliança Social-democrata da primeira-ministra, Jóhanna Sigurðardóttir, e o Movimento Esquerda Verde renovaram a sua coligação governamental com maioria absoluta.

No outono de 2009, por iniciativa popular, começou a redação de uma nova Constituição através de um processo de assembleias de cidadãos. Em 2010, o governo propôs a criação de um conselho nacional constituinte com membros eleitos ao acaso. Dois referendos (o segundo em abril de 2011) negaram o resgata aos bancos e o pagamento da dívida externa. E, em setembro de 2011, o antigo primeiro-ministro, Geeir Haarde, foi julgado pela sua responsabilidade na crise.

Qualquer mapa da Europa devia ter o ponto de fuga na Islândia

Esquecer que o mundo não é uma tragédia grega, em que a roda do destino ou do capital gira sem prestar atenção a razões humanas, é negar a realidade. É óbvio que essa roda é movida por seres humanos. Tudo aquilo que pudermos imaginar como possível é tão real como aquilo que os mercados nos dizem ser a realidade. A possibilidade e a imaginação, recuperadas na Islândia, mostram-nos que são tão certas como a necessidade pantagruélica do capitalismo. Só temos de responder a esse chamamento para descobrir o logro em que nos pretendem fazer acreditar. Não há outra alternativa, clamam. Por acaso, algum dos que nos anunciam sacrifícios se deu ao trabalho de rever o seu mapa do mundo?

A Islândia demonstrou que a nossa cartografia tem mais coisas do que aquelas que nos dizem. Que é possível dominar, e aí reside o princípio da liberdade, a necessidade. A Islândia, no entanto, não é um modelo. É uma das possibilidades do diferente. A tentativa da multidão islandesa de construir o futuro com as suas decisões e com a sua imaginação mostra-nos a realidade de uma alternativa.

Porque a possibilidade da diferença proclamada pela multidão é tão real como a necessidade do mesmo que o capital exige. Na Islândia decidiram não deixar que o amanhã seja ditado pela roda trágica da necessidade. Continuaremos nós a deixar que o real seja definido pelo capital? Continuaremos a entregar o futuro, a possibilidade e a imaginação aos bancos, às empresas e aos governos que dizem fazer tudo aquilo que realmente pode ser feito?

Todos os mapas da Europa deviam ter a Islândia como sua saída de emergência. Esse mapa deve construir-se com a certeza de que o possível estão tão dentro do real como o necessário. A necessidade é apenas mais uma possibilidade do real. Há alternativa. A Islândia recordo-no-lo ao proclamar que a imaginação é parte da razão. É a multidão que definirá o que é o real e o realista usando a possibilidade da diferença. Deste modo, não acalentaremos consolo de sonhadores, mas baseemo-nos sim numa parte da realidade que o mapa do capital quer apagar completamente. A existência de Utopia daí depende. E com ela, o próprio conceito de uma vida digna de ser vivida.

Miguel Ángel Sanz Loroño


Miguel Ángel Sanz Loroño (nascido em 1984) é estudante de doutoramento e investigador no departamento de História Moderna e Contemporânea da Universidade de Saragoça. Dedica-se à pós-modernidade e à sua ligação com o pensamento histórico e utópico.

http://www.presseurop.eu/pt/content/author/1320601-miguel-angel-sanz-lorono

http://blogs.publico.es/dominiopublico/4414/sobre-islas-y-utopias/
Traduzido do castelhano por Maria João Vieira

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